SETE EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS USADAS NO BRASIL QUE VÃO TE DEIXAR “DE CABELO EM PÉ”

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Camila LisboaPortugais
12 avril 2018
77
5 minutes
Deixar alguém “de cabelo em pé” é uma forma comum na língua portuguesa de dizer que ficamos assombrados, abismados, ou simplesmente surpresos com alguma coisa. Junto a essa expressão, há várias outras no Brasil que descrevem ideias ou comportamentos das pessoas em seus cotidianos. São as expressões idiomáticas!
Centenas dessas expressões estão presentes na fala dos brasileiros e se dividem a depender da região ou do estilo de vida de cada grupo social. Algumas delas são usadas também em outros países, mas muitas são próprias do contexto brasileiro. Conhecer as expressões idiomáticas pode ser útil tanto para entender o modo coloquial das pessoas falarem em seu dia-a-dia, como para conhecer um pouco melhor a cultura e os costumes locais. Abaixo, trago sete expressões muito comuns utilizadas por brasileiros.

  1. “Carta fora do baralho”
Se você joga cartas, saberá bem o que essa expressão quer dizer. Uma carta retirada do baralho é uma carta sem valor, sem importância na pontuação dos jogadores. Quando falamos que alguém é “carta fora do baralho”, queremos dizer que aquela pessoa não faz (mais) parte de um grupo.
Ex.: Depois da condenação de Lula, ele não pode mais participar das próximas eleições. Agora Lula é “carta fora do baralho”.
Esse é um assunto bastante polêmico para os brasileiros ultimamente!

  1. Tomar um “chá de cadeira”
Imagine fazer o chá de uma cadeira. Nesse mesmo mundo absurdo, imagine o gosto desse chá. Não parece muito gostoso, não é? Esse sentimento desagradável traduz o aborrecimento que uma longa espera pode provocar. “Tomar um chá de cadeira” significa que alguém teve que esperar muito por outra pessoa (sentado numa cadeira ou não). Em geral, é usada como uma reclamação, como um momento desagradável de longa espera.
Ex.: Fui ao Posto de Saúde ontem, mas o médico me deu um “chá de cadeira”.
Você conhece um Sistema Único de Saúde do Brasil? É um tema interessante para entender um pouco sobre como funcionam as políticas públicas no Brasil, no que elas têm de melhor e de pior.

  1. “Mala sem alça”
Já lhe aconteceu de estar fazer uma viagem com uma mala grande e pesada e, de repente, a alça arrebentar? É uma situação bastante complicada. Você carrega a mala de forma desajeitada - ora empurra, ora tenta carregá-la nos ombros, mas fica louco para se livrar daquele problema. Agora imagine carregar uma pessoa que é uma verdadeira “mala sem alça”? Isso mesmo! Essa expressão é usada para falar sobre pessoas consideradas chatas, inconvenientes, de companhia não desejável, pessoas das quais desejamos muito nos livrar.
Ex.: João me enviou uma mensagem pelo Facebook, mas eu não respondi, pois acho João um “mala sem alça”.
Você sabia que o Brasil é considerado o segundo país do mundo com maior uso das redes sociais? Por que você acha que isso acontece? Qual seria o primeiro país, em sua opinião?

  1. “Minhoca na cabeça”
O que você acha que existe dentro da cabeça de uma pessoa comum? A ciência nos fala que existem milhares de neurônios, um cérebro e toda a estrutura que nos permite realizar nossas funções cognitivas, correto? É essa estrutura a responsável por formar nossa racionalidade, nossas ideias, pensamentos, coordenar nossos atos motores… Isso você já sabe. Como seria, então, alguém que só tem minhoca na cabeça? No Brasil, quando falamos que uma pessoa tem muita “minhoca na cabeça” é o mesmo que falar que ela tem muita bobagem na cabeça, que suas ideias são fúteis, incorretas, superficiais ou distorcidas.
Ex.: João anda com muita “minhoca na cabeça” ultimamente.
Aqui, o nosso personagem “João” foi usado como exemplo de novo, e não ao acaso. No Brasil (como em outros países) são muito comuns os nomes João e Maria. Os nomes viraram tema de novela, filmes, e também da belíssima canção “João e Maria”, do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque - não deixe de ouvir, na própria interpretação do Chico! Vale a pena também entender a letra, com toda a doçura que ela contém...

  1. Pisar na bola
Num país onde o futebol é um esporte tão famoso e popular, não poderia deixar de existir um ditado como esse. É só imaginar as consequências de se estar andando, correndo ou jogando futebol e, de repente, pisar numa bola. O que você acha que acontece? Talvez a pessoa caia, talvez machuque o pé. De toda forma, os resultados sempre parecem ruins, não é verdade? A frase “pisar na bola” também traduz uma coisa negativa; significa que alguém fez coisa ruim de modo inesperado, uma coisa que causou decepção. É como se a pessoa tivesse “escorregado” (termo também muito usado por aqui) em alguma coisa que ela fez.
Ex.: Muitos acham que o presidente “pisou na bola”, ao decretar que novas áreas da Amazônia podem ser desmatadas.
Eis um exemplo atual e triste na realidade brasileira.

  1. “Procurar cabelo em cabeça de ovo”
Esse é uma das expressões que mais gosto, talvez por me parecer uma das mais divertidas delas. Você já procurou cabelo na cabeça de um ovo? Acaso você sabe onde é a cabeça do ovo? O absurdo dessa situação reflete bem o que a frase quer dizer... Quando alguém “procura cabelo em cabeça de ovo”, é porque aquela pessoa está procurando evidências, fatos ou problemas onde não existe.
Ex.: Algumas pessoas acreditam que o Congresso “procurou cabelo em cabeça de ovo” para condenar a presidente Dilma ao impeachment.
Muitos, na verdade, acreditam nisso, argumentando que o impeachment da presidente Dilma, no ano de 2016, foi apenas um ato político. Há outros, ao contrário, que argumentam que o processo foi justo por causa da acusação das “pedaladas fiscais”. Seja qual for o caso, esse fato causou profunda instabilidade na política brasileira, algo do qual o país ainda tenta se recuperar.

  1. “Tempestade num copo dágua”
Essa é uma expressão também bastante interessante se formos considerá-la literalmente. Vamos imaginar uma forte tempestade caindo e, debaixo dela, um pequeno copo água. A comparação lhe parece justa? A tempestade talvez pareça um pouco exagerada, excessiva, em relação ao pequeno copo d’água. Pois bem, quando uma pessoa faz “uma tempestade num copo d’água”, é porque ela está exagerando nas suas ideias, falas ou comportamentos.
Ex.: Minha mãe fez “uma tempestade num copo d’água” só porque eu disse que queria conhecer um baile funk.
O funk é um estilo musical que, no Brasil, tem ganhado muito espaço. Por aqui, o funk carioca e o funk paulista são os mais famosos e geralmente eram tocados em bailes, nas favelas do Rio de Janeiro ou São Paulo. Hoje, o funk se espalhou por outras regiões e é tocado em diferentes lugares (bailes, bares, boates e festas em geral). Esse é um estilo musical que divide opiniões. Há pessoas que o criticam, dizendo que as letras apenas falam de sexo, violência e do mundo do crime. À medida que o funk foi se espalhando pelo país e ficando cada vez mais popular, ele passou a ser reconhecido também como um elemento cultural que retrata a realidade de muitos brasileiros; alguns defendem que, por isso, o funk deve ser respeitado e ouvido sem preconceitos.

Falei um pouco sobre sete expressões idiomáticas muito usadas por brasileiros, mas elas são muitas! Se você não entender o que quer dizer com alguma expressão, pergunte ao seu professor ou à sua professora do Verbling! Em geral, você escutará as expressões idiomáticas mais em vídeos e entrevistas com um tom informal, e também escutando/conversando com as pessoas no Brasil, numa conversa coloquial. Não perca a oportunidade de entender o contexto onde essas expressões são usadas e como elas podem estar ligadas à cultura do povo brasileiro. Logo você poderá entender a riqueza dessa cultura, a criatividade e a diversidade que marca a vida desse povo (opinião nada suspeita hehe). Boa sorte nessa bela jornada de aprendizado!








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Olá! Sou brasileira, psicóloga, especialista em gestão pública e mestre em psicologia social. Adoro ensinar e aprender idiomas! Dou aula há mais de 15 em diversas áreas diferentes, incluindo língua portuguesa e literatura. Tenho várias publicações (entre artigos e livros). Atualmente, dou aulas particulares e em faculdades, mas também ofereço programas de treinamento, desenvolvimento de pessoas e coaching. O processo de ensinar e aprender é uma grande paixão para mim! Hello! I'm brazilian, psychologist, specialist in public management and master in social psychology. I love teaching and learning languages! I have been teaching for more than 15 years in several different areas, including portuguese and literature. I have several publications (articles and books). I'm currently teaching in private classes and college classes, but I also offer training in people development, through coaching programs. The process of teaching and learning is a great passion for me!
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